terça-feira, 2 de abril de 2013

Renascimento

No último post falamos sobre o método científico e surgiu o tema do renascimento. Sim, sim, sim vamos contextualizar!!!




No momento em que foi desenvolvido o método científico estava ocorrendo o renascimento. O renascimento foi um movimento de ordem artística, cultural e científica que ocorreu na passagem da idade média para a moderna. Não foi uma ruptura drástica com o mundo medieval, apenas ocorreram sensíveis transformações que não correspondiam mais aos valores do pensamento medieval, apresentando um novo conjunto de temas e interesses aos meios científicos e culturais de sua época.
O termo renascimento foi empregado para referir-se ao renascer da humanidade e da consciência moderna após um longo período de decadência.


Introdução


Desde o fim do Império Romano do ocidente a igreja católica preservava em seus mosteiros a cultura da Antiguidade Clássica, tornando assim a instrução, um privilégio do clero que passou a administrar a educação, encarregando-se de explicar aos fiéis a doutrina cristã, o mundo e os fenômenos naturais.                                                                     Os costumes feudais, a produção artística, literária, filosófica e científica seguiam os princípios do clero.

Com o nascimento da burguesia foram retomados os estudos de textos antigos pela camada legista (administradores e juristas da burguesia encarregados de elaborar medidas legais que dessem respaldo as atividades econômicas deste grupo) que buscavam textos jurídicos, mas foram descobrindo novas informações em todas as áreas que foram servindo de inspiração aos mais diferentes letrados, tornando o homem da antiguidade clássica um ideal cultural.

A visão de mundo medieval


Foi criada e difundida pela igreja católica que era quem dominava a vida cultural na Idade Média, passando a ideia de que era preciso aceitar passivamente a eternidade do feudalismo e o domínio da nobreza.
Predominava o teocentrismo (Deus está no centro de tudo) onde o homem não deveria se importar muito com a vida terrena, material, deveria se subordinar a igreja católica, que era a intermediária entre o ser humano e Deus. A igreja ditava todas as verdades e verdade era aquilo que estava na bíblia ou baseado nas tradições. Tudo devia ser aceito sem reclamar, pois ao tentar mudar algo estava-se indo contra a vontade divina.

A visão de mundo renascentista


A visão de mundo medieval atendia aos interesses dos senhores feudais enquanto a renascentista estava ligada a burguesia em ascensão. O homem medieval era subordinado a igreja e o renascentista era laico.
Para os renascentistas a verdade era empírica, ou seja, fruto da experimentação e da observação aliada ao uso da razão. Para eles conhecer a natureza era fundamental para ter poder sobre ela e garantir o lucro.


A filosofia humanista contra a escolástica

A escolástica era a filosofia oficial da igreja católica e era baseada principalmente na adaptação que São Tomás de Aquino tinha feito da obra de Aristóteles. Também chamada de tomismo era considerada perfeita pelos homens da igreja. Tinha muitos aspectos dogmáticos (verdades indiscutíveis que não precisavam ser provadas) que se discutidos levavam a pessoa a condição de herege (inimigo da religião). Assim a razão era subordinada a fé.
O humanismo era a filosofia do renascimento. Era bastante crítica em relação aos valores medievais; a razão não era mais serva da fé. Criou-se a noção de individualidade onde o homem era um universo próprio, particular, especial. Para os humanistas a cultura que valorizava o ser humano foi produzida na antiguidade clássica e por isso havia uma febre pelos estudos dessa época como inspiração.

Contexto histórico e características do Renascimento

As conquistas marítimas e o contato com a Ásia ampliaram o comércio e a diversidade dos produtos de consumo na Europa, fazendo com que muitas comerciantes acumulassem fortunas e assim dispor de condições de investir na produção artística e científica da época.



De acordo com o renascimento a razão era uma manifestação do espírito humano que o colocava mais perto de Deus e ao questionar o mundo exercia um dom dado por ele. Tinha como características: o privilégio dado as ações humanas (humanismo) representado na reprodução  de situações do cotidiano, na rigorosa reprodução de traços e formas humanas (naturalismo) elogiando as concepções artísticas da antiguidade clássica (Greco-romana), o antropocentrismo (homem no centro), valorização da razão e da natureza( os cientistas passam a utilizar métodos experimentais e de observação – o método científico)
Essa valorização das ações humanas despertou o interesse da burguesia. Suas ações pelo mundo,  a circulação por diferentes espaços e o ímpeto individualista ganharam atenção nesse processo de transformação promovido pelo renascimento.  O entusiasmo burguês era tamanho que alguns chegaram a financiar artistas e cientistas. A busca por prazeres (hedonismo) também colocava o individualismo da modernidade em foco.
A aproximação do renascimento com a burguesia pode ser claramente percebido no interior de cidades como Gênova, Veneza, Milão, Floresça e Roma que eram grandes centros comerciais onde a intensa circulação de riquezas e ideias promoveram a ascensão de uma notória classe artística italiana e tornando-a o berço do Renascimento. Algumas famílias realizavam o mecenato ( patrocínio das obras e estudos renascentistas) e a profissionalização desses renascentistas foi responsável por um extenso conjunto de obras que acabou dividindo o movimento em três períodos: o trecento, o quatrocento e o cinquecento.

Trecento: destaca-se o legado literário  de Petrarca (“De Africa “e “Odes a Laura”) e Dante Alighieri (Divina Comédia), as pinturas de Giotto de Bondoni ( O beijo de Judas, Juizo final e A lamentação e Lamento ante cristo morto).

Petrarca - "De África"                      
A literatura se renovou com o surgimento de novas formas de expressão como o soneto, a poesia épica e a prosa com conteúdo crítico, utilizada nos textos de Petrarca.


                                     Dante Alighieri - A Divina Comédia
Nessa obra ele descreve o inferno, o paraíso e o purgatório. O tema é medieval,mas o tratamento que ele dá é renascentista. Dante não botou nenhum de seus escritores gregos e romanos no inferno, apesar deles serem pagãos, em compensação, lá nas profundezas criou uma sepultura de fogo que aguardava o papa da época, Bonifácio VIII. O poeta considerava traição o pior dos crimes. E na entrada do céu ao invés de um anjo ele colocou Beatriz, sua amada falecida.

O Beijo de Judas - Giotto de Bondone
Os retratos de santos de Giotto reproduzem pessoas vivas, em carne e osso.



A pintura rompeu a tradição medieval do imobilismo, da justaposição de imagens e dos temas exclusivamente religiosos. A introdução de novos elementos relativos á cor, á forma e ao movimento de figuras somou-se as noções de perspectiva, proporção e profundidade surgidas primeiramente na obro acima: Giotto - Lamento ante o Cristo Morto, o Juízo Final.





Quatrocento: o movimento já tinha representantes dentro e fora da Itália com representantes como o italiano Leonardo Da Vinci (Monalisa) e o holandês Erasmo de Roterdã (Elogio a loucura).

Monalisa - Leonardo Da Vinci


Erasmo de Roterdã



Cinquecento: foi a fase final do renascimento onde o movimento ganhou grandes proporções em todo o continente europeu. Em Portugal destaca-se a literatura de Gil Vicente (Auto da barca do inferno) e Luís de Camões (Os Lusíadas). Na Alemanha os quadros de Albercht Dürer (Adão e Eva e Melancolia) e Hans Holbein (Cristo Morto e a Virgem do brugomestre Meyer). Na literatura francesa temos François Rabelais (Gargântua e Pantagruel). No campo científico destaca-se a teoria heliocêntrica defendida por Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Giordano Bruno abolindo o monopólio dos saberes controlado pela igreja católica.


Os Lusíadas - Camões


Adão e Eva e Melancolia



Eliocentrismo


Outros artistas renascentistas

Bocaccio - Decameron
Nesta coleção de contos eróticos há uma valorização do hedoísmo (importância do corpo e dos prazeres terrenos).


Michelangelo - Juizo final


Livros consultados: 
Nova História Crítica, Moderna e Contemporânea - Mario Schmidt
História Moderna e Contemporânea - Alceu Luiz Pazzinato e Maria Helena Valente Senize

Links consultados:

Vídeos:











Exercícios:


E por hoje é só!!!!! Lembrando que a cada hora que você desiste alguém acredita! Bons estudos!!




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