quarta-feira, 17 de abril de 2013

Vidas Secas - Graciliano Ramos

Este é um dos livros que pertence a lista dos vestibulares que irei cursar. O peguei na Biblioteca pública de minha cidade porque para mim o fato de ter um prazo de entrega faz com que eu não deixe o livro de lado, mas ele pode ser facilmente baixado na internet.

É um livro de tema atual, pois a seca continua assolando o nordeste e é um assunto potencial para as provas de vestibular.

Quanto ao livro...eu não o achei cansativo, achei bastante envolvente e me induziu a ler um capítulo após o outro com facilidade.


Na obra o autor mostra como se dão as relações de poder, como se forma "aquele que não pode responder, que não pode fazer contas" e do outro lado "aquele que dita as regras, que manda embora".

Contexto Histórico

Romance pertencente a segunda fase do Modernismo (regionalista),  foi escrito entre 1937 e 1938. Momento em que o povo brasileiro estava abalado pelos acontecimentos ocorridos naquela década. A crise econômica causada pela quebra da bolsa de Nova York, a Crise cafeeira, a Revolução de 30, o declínio do nordeste, levaram a um novo estilo ficcional; mais adulto ,maduro, moderno, marcado pela rudeza, por uma linguagem mais brasileira, por um enfoque direto dos fatos, uma retomada ao naturalismo, principalmente no plano da narrativa documental, além do romance nordestino, da liberdade temática e rigor estilístico.

Estudo dos personagens

Baleia - cadela da família, tratada como gente e muito querida pelas crianças; pensa, sonha e age como se fosse gente(enquanto os personagens humanos não o fazem). O nome de baleia é uma ironia, aquela que anda livremente pelo mar.

Sinhá Vitória - mulher de Fabiano, sofrida, mãe de dois filhos, lutadora e inconformada com a miséria em que vivem, trabalha muito, mulata esperta, fazia conta com grãos, tinha o sonho de ter uma cama de fita de couro para dormir, sempre previne o marido sobre os trapaceiros

Fabiano - nordestino pobre, ignorante que desesperadamente procura trabalho, bebe muito e perde dinheiro no jogo, quase não fala, não sabe que é branco e não sabe ler nem escrever, as vezes chega a ver a si próprio como um animal.

Menino mais velho - queria saber ler e queria o significado da palavra inferno

Menino mais novo - queria ser vaqueiro como o pai

Papagaio - só sabia latir porque era o único som que escutava

Patrão - contratou Fabiano para trabalhar em sua fazenda, era desonesto e explorava os empregados. Representa a mediocridade, a injustiça e a opressão

Soldado amarelo - representa o poder instituído 

O papel feminino na obra

Sinhá Vitória quer uma vida melhor e é por causa de seus sonhos que a família avança e conquista condições melhores ( ela passa a querer um lampião, um vestido). É ela quem conduz o caminho da transformação do ser humano( pensa em levar os meninos para escola).
Era ela quem fazia as contas, mas era Fabiano quem ia cobrar. A mulher não podia agir, mas no romance ela conduz.

Características presentes na obra

Zoomorfização
Antropoformização das criaturas
Uso econômico de adjetivos
Adjetivos e figuras de linguagem: metáfora e prosopopeia

A Estética da seca

O nome dos personagens confirmam literalmente a denúncia das mazelas sociais. O livro mostra desde o título a desumanização que a seca promove nos personagens, cuja expressão verbal é tão estéril quanto o solo castigado da região. A miséria causada pela seca como elemento natural, soma-se a miséria imposta pela influência social, representada pela exploração dos ricos proprietários da região.
Os personagens são obrigados a retirar-se para outros lugares conforme a chegada da seca. Uma das implicações desse estilo de vida é a fragmentação temporal e espacial captada pelo autor na estrutura de Vidas Secas ao utilizar um método de composição que rompia com a linearidade temporal, típica dos romances do século XIX. 
A falta de linearidade (capítulos que se ligam temporalmente por relação de causa e consequência) dá aos 13 capítulos uma autonomia que permite até a leitura independente, exceto o primeiro e o último capítulo que devem ser mantidos nessa ordem.



Narrador

O uso da terceira pessoa é uma necessidade da narrativa para que fosse mantida a verossimilhança da obra por conta da mínima articulação verbal  dos personagens, reflexo das adversidades naturais e sociais que os afligem, nenhum parece capacitado a assumir o posto de narrador.
Há a utilização do discurso indireto livre onde as falas dos personagens se mesclam ao discurso do narrador em terceira pessoa. Essa foi a solução para que a voz dos marginalizados pudesse participar da narração sem que tivessem que assumir a posição de narrador.

Espaço

A história se passa no sertão, região marcada pelas chuvas escassas e irregulares. Essa falta de chuva somada a uma política de descaso do governo com os investimentos sociais transforma a paisagem em um ambiente inóspito e hostil.
Na região, Inverno é o nome dado a época de chuvas em que a esperança sertaneja floresce. O sonho de uma existência menos árida e miserável esboça-se no horizonte e dura até as chuvas cessarem e a seca retornar implacável.
Na obra ocorre um recorte espacial entre o ambiente rural e urbano para demostrar a adequação e a inadequação dos personagens em um ou em outro espaço.
Apesar da miséria presente Fabiano domina o ambiente rural. Incapaz de se comunicar, ao desempenhar a função de vaqueiro ele não sente tanto as consequências de seu laconismo. E conhecendo as técnicas de sua profissão ele se sente útil e digno. Na cidade ele já se sente inadequado.

Tempo

Além da falta de linearidade, há uma nítida valorização do tempo psicológico em detrimento ao cronológico, o que distancia os personagens da ordenação civilizada do tempo.
Enquanto elemento estrutural, a falta da marcação do tempo cronológico é mais uma forma de evidenciar a exclusão dos personagens. Enquanto a valorização do tempo psicológico torna as angústias dos personagens mais próximas do leitor, que as percebe com mais intensidade.

Análise da obra


  • Graciliano mostra que o ser humano é capaz de se transformar. No primeiro capítulo os personagens não falam, e no último já conversam. Sinhá Vitória pensa em levar os meninos á escola.


  • As personagens são focadas uma por vez o que mostra o afastamento entre elas. Cada uma tem sua vida particular, acentuando a solidão em que vivem.


  • A obra é a dramática descrição de pessoas que não conseguem se comunicar. Nem os opressores com os oprimidos, nem cada grupo comunica-se entre si.


  • A nota predominante é o desencontro dos seres. Os diálogos são raros e as palavras apenas xingatórios, exclamações ou grunhidos.


  • A terra é seca, mas o homem também é seco daí o nome Vidas Secas


  • O fato de não dar nomes as crianças é para caracterizar a vida mesquinha e sem sentido em que vivem
Vale a pena ler o resumo, caso você esteja muito em cima da prova rsrs!!


Links consultados:

E rumo ao vestibular!!!!!!!


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